Uma banda com Extrema Agressão

Uma banda com Extrema Agressão

O site aproveitou o final de semana prolongado para saber como andam as coisas para os lados da Extrema Agressão, uma das bandas de punk/HC mais antigas de Foz do Iguaçu em atividade. Os músicos mostraram que não tem papas na língua e ‘detonaram’ a animosidade que impera na maioria dos ditos ‘agentes’ do underground.

Confira o bate-papo que rolou no estúdio do Extrema, banda radicada na Vila C (região Norte de Foz do Iguaçu).

 

Reportagem: Welvis Leal Costa 

Edição: Ronildo Pimentel 

Marquinhos (Baixo)

Voney (Vocal)

Kleber (Guitarra)

Everaldo (Bateria)

Foz Underground – Como surgiu a banda?

Everaldo – Surgiu em meados de 1998. No começo a proposta era fazer um rapcore (mistura de Rap com hardcore), mais com o decorrer do tempo fomos analisando e vendo que o som era mais pra hardcore/punk. Foi um negocio de colégio mesmo, como todo mundo começa, juntamos os amigos e ninguém tinha nada, ninguém sabia tocar, mais fomos comprando os instrumentos aos poucos, batalhando e estamos aí.

 

Foz Underground – Qual foi a primeira formação?

Voney – Eu na guitarra e vocal, Everaldo na bateria e Kleber no baixo e vocal.

 

Foz Underground – Qual é a influência de cada integrante?

Everaldo – Bom, minha influência é totalmente punk hardcore (Cambio Negro HC, muito punk nacional Cólera, Ratos do Porão, só som nacional e de gringo Exploited, Dead Kennedys, Varukkers.

 

 

Foz Underground – Tem alguma banda que te influencio mais?

Everaldo – Para mim foi Cambio Negro HC e de som gringo Exploited.

 

Marquinhos – Sou totalmente eclético, escuto Ação Direta, Calibre 12, também as bandas nacionais Dorsal, Torture Squad. A banda que mais me influenciou foi Ação Direta.

Voney – É o Megadeath. Atualmente estou só no punk hc, que tem o lance de atitude é mais a ver com nosso modo de vida e com o que pensamos.

Kleber – A banda que influenciou mesmo acho que não tem nem uma, gosto de varias, mais coisas nacional. Não gosto de som gringo porque tem muita coisa boa aqui, tipo Ação Direta, Cólera, Ratos de Porão, coisa boa tá ligado? Não precisa pagar pau para gringo. Tem coisas de gringo que escuto mas não gosto. Tem várias que escuto, não tem como falar de uma.

 

Foz Underground – Quantas musicas próprias vocês já tem?

Everaldo – Dezesseis que a gente está atualmente. Agora vou querer ajuda da galera aí, as que agente pode destacar são as mais recentes, como Chakau, Sigma Six, Kaus, Vida Sofrida, Violência Urbana, Orgulho Punk.

Foz Underground – Vocês já tem material gravado?

Everaldo – Temos um CD gravado que colocamos o nome de “Pragas Urbanas”, só que não foi lançado por motivo de verba, que é o mais difícil. Temos uma demo com gravação que fizemos com camaradas. Tem bastante material mas não conseguimos lançar ainda.

 

Foz Underground – Depois daquele lance que ocorreu numa apresentação no Taberna, o que mudou na banda?

Everaldo – Mudou muita coisa. É igual aquele velho ditado “é apanhando que se aprende”. Mas aquela não foi a primeira e nem acho que vai ser a ultima, isso está sujeito a acontecer com todo mundo. Bom, mudou muita coisa, acho que agente amadureceu mais a formação. os caras estão empolgados e estamos aí, lutando, não deixamos aquilo abafar a banda não, estamos lutando, fazendo som novo.

 

Foz Underground – Depois desse fato vocês chegaram a pensar em parar?

Everaldo – Sim, a gente estava com essa idéia, mas todo mundo estava querendo o contrário afinal, tanto tempo de luta, são seis anos e não dá para jogar fora tudo que fizemos. Nós iríamos parar, mais aí sentamos e conversamos sobre o bom senso da coisa e resolvemos continuar porque não vai ser uma simples briguinha que vai fazer o Extrema parar não, a gente vai lutar até o fim.

 

Foz Underground – Como está a nova formação?

Volney – Estou achando muito boa, porque o Marquinhos veio para ficar. A gente deu uma pegada nova, um gás novo no som, inclusive algumas musicas estão mais rápidas. Pretendemos manter a essência do punk que é o que a gente faz e continuar variando os sons, fazer mais porrada e outras mais calmas.

 

Foz Underground – O vocal do Volney está mais nervoso?

Kleber – Ficou legal, mas as musicas novas estão sendo assim, mas não vai ficar nessa mesma linha, vamos manter a essência da coisa, mais tem aquela variação, igual o Volney falou, o Marquinho veio para ficar e ele está dando aquela força na banda, o pessoal esta se esforçando mais e botando pra quebrar.

 

Foz Underground – Marquinhos, como é tocar com uma das bandas mais antigas do HC iguaçuense?

Marquinhos – Está sendo ótimo. Conheço os caras faz um tempão. Entrei e  agora tem sangue novo na área, vamos arrebentar tudo. O que os caras falaram das influências, a linha da banda vai seguir, só que terá aquelas variações de musicas e vou dar meus pulos.

 

Foz Underground – Onde estão rolando os ensaios?

Everaldo – Na minha, esta quase pronto o estúdio, por hora estamos atormentando a vizinhança.

 

Foz Underground – Vocês estão com algum projeto?

Voney – Temos vontade de fazer um show agora só com as bandas de Foz de punk e HC e também queremos entrar em estúdio até julho ou agosto e gravar um disco legal mesmo com bastante musicas do jeito que a gente.

Kleber – Como temos muitas gravações, agora vamos fazer uma e botar essa força nova, fazer o negocio acontecer. Com certeza o pessoal vai gostar e o show que estamos pensando em organizar não é só pra ser mais um show qualquer e sim pra ter um movimento voltado pra coisa aqui na Vila “C”. O lance está florescendo e a molecada nova está com a influencia da banda, estão montando bandas novas como o Desespero HC, aqui da Vila. Os caras estão detonando também e tem um monte de gente aqui que está envolvido com a coisa e o negocio é divulgar para acontecer a cena. Não é só gravar e lançar, é pegar e fazer acontecer.

 

Foz Underground – O que vocês estão achando do underground local?

Everaldo – Bom, vou falar da cena punk e não do underground. A do punk está voltando a ativa com as bandas se empenhando, fazendo som novo e botando a cara para fazer. Está interessante. Eu acho que se todo mundo batalhar e continuar do jeito que está aí, em breve estaremos na cena nacional, que tem tudo para dar certo com as bandas boas aqui, tem tudo para rolar no movimento nacional. O underground de Foz é aquele negócio, está sempre na ativa, quem começa das antigas está sempre batalhando em tudo que é buraco, mas não morre.

 

Foz Underground – Esse projeto de show é para lançar o zine Ação e Revolução?

Everaldo – Isso. A gente está fazendo um zine chamado Ação e Revolução. É o primeiro zine e já esta com o segundo engatinhado. Esse projeto é pra juntar todas as bandas punks e HC da cidade, porque tem muita gente que curte mas é um num bairro aqui e no outro, e fica aquela coisa perdida, está todo mundo perdido. Esse projeto já conseguiu fazer, em Botucatu (São Paulo) tem o movimento lá e tenho correspondência com os caras de lá. Então a gente está tentando reunir toda as bandas daqui e organizar shows, eventos, teatros, fazer rolar tudo na mesma coisa para gente ter nosso movimento punk da cidade.

 

Foz Underground – Quantos serão feitos e como serão distribuídos ? 

Everaldo – Bom, isso será igual aquele velho dilema, a gente está xerocando e o que conseguirmos xerocar vamos distribuir. A distribuição será de mão em mão, vamos, de repente, fazer um show para lançar o zine, mais vai ter para baixar na internet.

 

Foz Underground – Para encerrar, qual a mensagem do Extrema para os leitores?

Kleber – Nós estamos com força total para fazer o movimento acontecer. Tem bastante bandas na cidades e cada um para um lado, o pessoal nunca se reúne para trocar uma idéia para passar e fazer assim, assado, cada banda tem que ter seu empenho próprio e ir atrás das coisas e não querer mastigado. Nós já tentamos fazer muitas coisas aqui voltadas ao movimento underground, só que sempre acaba virando em nada, porque os caras querem tudo na mão. Teve aquele lance da D’japú (Associação Underground de Foz do Iguaçu), correram atrás mas só que depois foi morrendo e nunca mais se ouviu falar. Isso é coisa antiga, Mufi o pessoal vem falando e falando só que sempre querem o lance mastigado, querem chegar e tocar, ganhar, querem transporte mas tem gente que não vai atrás para fazer cartaz, arrumar um patrocínio e um espaço para tocar, tem pessoas que vão só pra destruir. A galera tem que mudar um pouco e se conscientizar do que cada um pode fazer. É isso. O Foz Underground é legal porque vai divulgar o lance aqui e fora daqui, o acesso a internet tudo mundo já tem, qualquer lugar você paga um, dois reais e fica uma hora na net, as pessoas podem ver informações variadas de tudo que é lugar. O lance do site não é só daqui, é para divulgar as bandas.

Volney – Eu gosto muito da iniciativa do Foz Underground, porque as bandas sem apoio e divulgação não são nada, nunca vão conseguir chegar a lugar nenhum, mesmo que a banda tenha muitos contatos, tem gente que lava as mãos para outras coisas, só porque tem contatos em todos os lugares, de repente um lance desses que você estão fazendo, o pessoal não vai valorizar. Eu mesmo acho que tem que valorizar e dar o maior apoio e o que a gente puder passar para você, vamos te ajudar. Valeu.

Marquinhos – O site é muito legal, entrei e conferi as fotos do ultimo show de um ano da Family Roots. É isso aí, o site ajuda na divulgação das bandas, só que na minha opinião as bandas é que tinham que correr atrás do site, porque o que interessa para o site interessa, também para as bandas, é divulgação e não é só Foz do Iguaçu vê, tudo mundo que entra na internet de alguma forma tem acesso, isso é bom para as bandas, para Foz e o site.

style="text-align:justify">Everaldo – A principio eu queria agradecer ao Welvis pelo espaço da entrevista, é o que o Marquinho falou não é o Foz Underground que tem que correr atras das bandas e sim as bandas tem que correr atrás da divulgação. O site é muito bom, está divulgando, abrindo espaço.